Celepar: mudanças entre as edições
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m inclusão de informações sobre saúde e educação de crianças e adolescentes. |
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== Privatização da Celepar == | == Visão Geral == | ||
A Celepar (Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná) é a empresa pública de TI do Governo do Estado, responsável por desenvolver, integrar e operar sistemas e infraestrutura digitais que sustentam políticas públicas, serviços ao cidadão e gestão interna do Executivo paranaense. Atua como provedora de plataformas, dados, segurança, nuvem corporativa e atendimento multicanal, além de soluções sob medida para secretarias, autarquias e municípios. | |||
=== Quem é a Celepar === | |||
Fundada em 30 de outubro de 1964 para prestar serviços de informática à Administração Pública estadual, a Celepar evoluiu para um ecossistema de plataformas e serviços digitais corporativos, com data center próprio, rede corporativa do Estado, governança de dados e catálogos de soluções para múltiplos órgãos. Sua missão combina soberania tecnológica, continuidade operacional, interoperabilidade e melhoria contínua dos serviços públicos digitais. | |||
=== O Que Faz === | |||
* Plataformas e sistemas: desenvolvimento, manutenção e operação de sistemas de negócio, portais e aplicativos móveis para serviços públicos. | |||
* Dados e analítica: ambientes de dados, painéis de desempenho, inteligência artificial aplicada (incluindo personalização educacional), interoperabilidade e integração entre bases. | |||
* Identidade e segurança: autenticação, verificação biométrica, gestão de perfis e proteção de dados e redes. | |||
* Nuvem corporativa e colaboração: e-mail, mensageria, agenda, armazenamento e compartilhamento de arquivos (nuvem privada do Estado). | |||
* Atendimento e experiência do cidadão: central multicanal (chatbots, URA, autoatendimento), agendamento on-line e plataformas de relacionamento. | |||
* Operação e infraestrutura: gestão de ambientes, redes, internet, monitoramento e continuidade de serviços críticos. | |||
==== Educação ==== | |||
A Celepar opera bases massivas e sensíveis de dados infantis e juvenis na educação (biometria facial, frequência, notas, agenda) e na saúde (prontuários, diagnósticos, internações, medicações, vínculos de responsáveis), e a transferência desse “cofre” a um controlador privado cria incentivos e oportunidades concretas para reuso comercial, perfilização e exposição criminosa, contrariando a LGPD e o melhor interesse do menor. | |||
O reconhecimento facial escolar já é alvo de ação civil do MPPR com pedido de suspensão e indenização, evidenciando que as salvaguardas atuais são insuficientes mesmo antes da venda da estatal de TI. | |||
===== Dados e Escala ===== | |||
* Identificadores e vínculos familiares: cadastro de alunos e responsáveis, com autenticação e associação de perfis para consulta e alertas no app Escola Paraná. | |||
* Vida acadêmica: frequência por aula, notas, horários, agenda de avaliações e conteúdos, integrados ao Registro de Classe On-line (RCO) e disponibilizados a famílias. | |||
* Biometria e imagens: a Chamada Inteligente capta fotos em sala e utiliza reconhecimento facial para presenças, processando dados faciais de menores como dado sensível em infraestrutura estatal. | |||
* Expansão e contestação: a tecnologia foi expandida para milhares de colégios estaduais e enfrenta críticas de educadores e pesquisadores por eficácia, governança e finalidade legítima. | |||
===== LGPD: Crianças e Adolescentes ===== | |||
* '''Dado sensível e melhor interesse:''' dados de saúde e biometria são sensíveis e, no caso de menores, o tratamento exige base legal adequada, transparência e aderência estrita ao melhor interesse da criança e do adolescente. | |||
* '''Orientação da ANPD:''' exige salvaguardas adicionais, avaliações de impacto e proporcionalidade técnica, sobretudo quando houver decisões automatizadas ou perfilização. | |||
===== Rede de proteção e MPPR ===== | |||
* Além dos sistemas para gestão escolar existe a parceria com a '''Rede de Proteção à Criança e ao Adolescente''', que inclui mapeamento, integração e acesso online à rede de atendimento (Mapa GeoFortis) com 14.245 unidades, cobrindo políticas como Criança e Adolescente, Saúde, Educação e Sistema Justiça. | |||
* A Celepar desenvolveu e sustentou soluções e portais como o Infância Segura e iniciativas do Fortis, fortalecendo a rede intersetorial e a capacidade de resposta a violações de direitos da infância. | |||
* O “Sistema Justiça” listado no GeoFortis abrange atores como o Ministério Público, evidenciando um elo operacional entre bases de dados, rede de proteção e MPPR para fiscalização e proteção integral. | |||
* Há precedentes de cooperação técnica multiorganismos envolvendo a Celepar e órgãos de controle, comprovando uma interlocução institucional sensível para o interesse público que depende de governança e confiança entre as partes. | |||
===== Por que a Privatização Agrava o Risco ===== | |||
* Ruptura de confiança e coordenação: a mudança de controle pode quebrar o arranjo interinstitucional com a Rede de Proteção e o MPPR, criando assimetrias de informação, atrasos de integração e zonas cinzentas contratuais que prejudicam respostas rápidas a violações contra crianças. | |||
* Consolidação e monetização: cruzar escolaridade (frequência, notas, comportamento) com saúde (diagnósticos, internações, vacinação) em mãos privadas potencializa perfilização, reidentificação e vigilância, com incentivos a monetizações diretas e indiretas. | |||
* Precedente de fragilidade: se a biometria escolar já responde a ação civil do MPPR, imaginar um controlador privado pressionado por metas comerciais é aceitar risco amplificado de desvio sistemático de finalidade e de “normalização” do abuso. | |||
* Comercialização e scoring: venda, troca ou derivação de atributos (biometria, assiduidade, desempenho, diagnósticos, adesão vacinal) para publicidade, seguros, crédito e seleção, violando finalidade e não discriminação de titulares hipervulneráveis. | |||
* Extorsão e chantagem: vazamentos de prontuários ou rotinas escolares permitem exploração de condições clínicas e hábitos, com risco físico e psicossocial para crianças e famílias. | |||
* Fraudes e engenharia social: golpes baseados em dados reais de saúde e educação tornam-se mais críveis e devastadores, ampliando danos materiais e morais. | |||
* Vigilância e punição automatizada: uso ampliado de biometria escolar e camadas analíticas para controle comportamental extrapola a finalidade pedagógica e fere direitos de personalidade. | |||
==== Saúde ==== | |||
===== Prontuários e Vacinação ===== | |||
* Prontuários eletrônicos (GSUS): anamnese, diagnósticos, exames, prescrições, internações e procedimentos pediátricos em unidades da SESA-PR, com módulos clínicos e “Programas Especiais” que incluem linhas para infância. | |||
* Vínculos de responsáveis e acesso: fluxos formais de autorização e cópia de prontuários para pais e responsáveis em hospitais estaduais, como o Hospital Infantil Waldemar Monastier. | |||
* Vacinação e interoperabilidade: registros nominais no novo SIPNI e e-SUS APS integrados via RNDS, compondo histórico vacinal individual de crianças e adolescentes. | |||
=== Órgãos Atendidos === | |||
* Educação: Secretaria de Estado da Educação (SEED) e rede escolar estadual, com plataformas de aprendizagem, biometria em chamadas e painéis de desempenho. | |||
* Mobilidade e trânsito: Detran-PR e DER/PR, com aplicativos, serviços digitais e apoio à fiscalização e atendimento. | |||
* Transparência e controle: Controladoria-Geral, Ouvidoria e gestão de manifestações, com soluções de mural e governo aberto. | |||
* Meio ambiente: integração e apoio a plataformas setoriais como o SEIA em parceria com órgãos ambientais. | |||
* Saúde, Fazenda, Segurança Pública e demais secretarias: suporte a sistemas de negócio, dados, identidade, operação e continuidade de serviços. | |||
=== Inovação === | |||
* Educação: Aprendiz Inteligente e iniciativas de IA generativa para personalizar trilhas de aprendizagem, diagnósticos e apoio a EJA. | |||
* Mobilidade: Detran Inteligente com chatbots, apps e serviços digitais para aumentar eficiência e reduzir filas. | |||
* Transparência: Mural Digital e Gestão de Ouvidoria para acompanhamento de obras, gastos, indicadores e manifestações da sociedade. | |||
* Inclusão social e digital: programa Vida Nova, capacitações para idosos levando tecnologia a municípios menores. | |||
* Escola conectada: reconhecimento facial em chamadas escolares, com governança de dados e identidade segura. | |||
== <big>Privatização da Celepar</big> == | |||
A privatização da Celepar foi autorizada pela lei estadual 22.188/2024, sancionada pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior em 13 de novembro de 2024 e passou a tramitar com rapidez, sob a justificativa de ganhos de eficiência, parcerias e maior agilidade na compra e evolução de soluções digitais para o Estado. | |||
A operação envolve a separação e resguardo de dados sensíveis (especialmente de segurança pública) para atender requisitos da LGPD, ao mesmo tempo em que enfrenta fiscalização e questionamentos de órgãos de controle e do Ministério Público. | |||
=== Linha do Tempo e Status === | |||
Em novembro de 2024, o governo sancionou a lei que autoriza o início da desestatização da companhia, abrindo a etapa de estudos e modelagem para leilão posterior. | |||
Em 2025, o Executivo contratou consultorias e escritórios jurídicos por dispensa/inexigibilidade de licitação para estruturar a venda, e anunciou meta de concluir o processo até o fim do ano. | |||
A Comissão de Fiscalização e Transparência do Senado realizou audiência pública sobre riscos da desestatização para dados sensíveis e serviços críticos, com críticas de parlamentares e ausência do presidente da Celepar. | |||
=== Gastos, Contratos e Questionamentos === | |||
A consultoria Ernst & Young foi contratada por cerca de R$ 8,7 milhões para estudos e operacionalização da venda, e escritórios jurídicos receberam contratos adicionais por dispensa/inexigibilidade, alvo de questionamentos do MP-PR e de entidades de trabalhadores. | |||
Reportagem do Plural relatou contrato sem licitação da Celepar com a E-Paraná para “consultoria de comunicação e produção de conteúdo” no valor máximo de R$ 2,4 milhões, além de assessoramento jurídico especializado acima de R$ 1 milhão para a privatização. | |||
Críticos destacam a assimetria entre a promessa oficial de “economia” (como corte de 40 cargos comissionados, estimada em R$ 19 milhões/ano) e os valores já empenhados em consultorias e assessorias, bem como o fato de a empresa ter apresentado lucro expressivo em 2023. | |||
=== Dados Sensíveis e LGPD === | |||
O MP-PR apontou possíveis conflitos entre o desenho da desestatização e a LGPD, em especial quanto ao tratamento de dados sensíveis de segurança e investigação criminal que, por natureza, devem permanecer sob controle estatal. | |||
Diante do risco regulatório, o governo criou um grupo interno para separar informações sensíveis e transferi-las à Secretaria da Segurança Pública, buscando viabilizar a venda sem violar a legislação de proteção de dados. | |||
=== Órgãos de Controle e Supervisão === | |||
O Tribunal de Contas do Estado monitora o processo em procedimento sigiloso, e a atuação conjunta de controle externo tem mantido a privatização sob escrutínio técnico e jurídico. | |||
Na última sessão do TCE-PR, o conselheiro Fábio Camargo defendeu medida cautelar para suspender a privatização da Celepar, alegando riscos à LGPD e exigindo que o governo comprove que a operação não trará prejuízo ao interesse público. | |||
O presidente do TCE-PR, Ivens Linhares, considerou a preocupação “oportuna e relevante” e encaminhou o pedido para relatoria do conselheiro José Durval do Amaral, mantendo em avaliação a suspensão cautelar do processo de venda da estatal de TI do Paraná. A imprensa local informou que a Corte pode sustar o procedimento enquanto o governo apresenta documentação e fundamentos que afastem riscos à coletividade e ao patrimônio público. A oposição na ALEP e entidades mobilizadas destacaram que o protocolo no TCE-PR representa um freio necessário para que o tema seja debatido com transparência e controle social. | |||
=== Narrativas Públicas em Conflito === | |||
O governo defende que a privatização trará “parcerias” mais ágeis, ganhos de eficiência e melhor atendimento às necessidades do Estado, com possibilidade de adoção de pregões para ferramentas tecnológicas. Trabalhadores, especialistas e parlamentares argumentam que há risco de desmonte institucional, perda de expertise e comprometimento da soberania e segurança de dados sensíveis, com processo conduzido sem debate público robusto. | |||
=== Pontos Críticos Recorrentes === | |||
Soberania e Segurança: transferência de controle operacional pode elevar riscos de acesso indevido, uso comercial de dados pessoais e fragilização de funções típicas do Estado, segundo especialistas e entidades. | |||
Transparência e rito: a tramitação veloz, contratações sem licitação e a ausência de respostas públicas em audiências e convites à autoridade da empresa são mencionadas como sinais de um processo pouco participativo. | |||
Economicidade e valor público: a economia alegada com cargos comissionados é relativizada por gastos com consultorias e pelo histórico recente de lucros e entregas de serviços críticos à administração pública. | |||
=== Fatos Adicionais Relevantes === | |||
Estimativas de mercado indicam que o comprador levaria um passivo e um portfólio relevantes, incluindo contratos expressivos de TI com o Estado, o que também levanta debate sobre precificação, continuidade e cláusulas de transição. | |||
Há registro de abaixo-assinado de funcionários e denominação crítica do projeto como sinalização de gravidade dos riscos à segurança digital e à governança pública, segundo coberturas locais. | |||
Entregar a uma empresa privada o “mapa da infância” do Paraná — rostos, rotinas, notas, diagnósticos e vacinas — e torcer para que incentivos de mercado não transformem isso em produto, ponte para crime ou moeda de barganha é um risco incompatível com o melhor interesse de crianças e adolescentes. | |||
O elo atual com a Rede de Proteção e o MPPR, além de ser estratégico, pode ser corroído por contratos opacos e objetivos comerciais, degradando a resposta estatal e a confiança social justamente onde elas são mais vitais. | |||
=== Perguntas a Responder === | |||
Por que alienar uma empresa com histórico de lucro e papel estratégico para o ecossistema estatal, em um setor de missão crítica e com ativos de dados de alto valor público? | |||
Como garantir governança, auditoria contínua, cláusulas de reversibilidade e proteção integral de dados sensíveis após a privatização, sob LGPD e controles independentes? | |||
Quais salvaguardas contratuais e regulatórias asseguram continuidade dos serviços essenciais durante e após a transição de propriedade, sem aumento de custos, lock-in tecnológico ou opacidade? | |||
== Campanha de Comunicação == | == Campanha de Comunicação == | ||
https://www.instagram.com/salveseusdadospr/ | https://www.instagram.com/salveseusdadospr/ | ||
Edição atual tal como às 14h37min de 29 de agosto de 2025
Visão Geral
A Celepar (Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná) é a empresa pública de TI do Governo do Estado, responsável por desenvolver, integrar e operar sistemas e infraestrutura digitais que sustentam políticas públicas, serviços ao cidadão e gestão interna do Executivo paranaense. Atua como provedora de plataformas, dados, segurança, nuvem corporativa e atendimento multicanal, além de soluções sob medida para secretarias, autarquias e municípios.
Quem é a Celepar
Fundada em 30 de outubro de 1964 para prestar serviços de informática à Administração Pública estadual, a Celepar evoluiu para um ecossistema de plataformas e serviços digitais corporativos, com data center próprio, rede corporativa do Estado, governança de dados e catálogos de soluções para múltiplos órgãos. Sua missão combina soberania tecnológica, continuidade operacional, interoperabilidade e melhoria contínua dos serviços públicos digitais.
O Que Faz
- Plataformas e sistemas: desenvolvimento, manutenção e operação de sistemas de negócio, portais e aplicativos móveis para serviços públicos.
- Dados e analítica: ambientes de dados, painéis de desempenho, inteligência artificial aplicada (incluindo personalização educacional), interoperabilidade e integração entre bases.
- Identidade e segurança: autenticação, verificação biométrica, gestão de perfis e proteção de dados e redes.
- Nuvem corporativa e colaboração: e-mail, mensageria, agenda, armazenamento e compartilhamento de arquivos (nuvem privada do Estado).
- Atendimento e experiência do cidadão: central multicanal (chatbots, URA, autoatendimento), agendamento on-line e plataformas de relacionamento.
- Operação e infraestrutura: gestão de ambientes, redes, internet, monitoramento e continuidade de serviços críticos.
Educação
A Celepar opera bases massivas e sensíveis de dados infantis e juvenis na educação (biometria facial, frequência, notas, agenda) e na saúde (prontuários, diagnósticos, internações, medicações, vínculos de responsáveis), e a transferência desse “cofre” a um controlador privado cria incentivos e oportunidades concretas para reuso comercial, perfilização e exposição criminosa, contrariando a LGPD e o melhor interesse do menor.
O reconhecimento facial escolar já é alvo de ação civil do MPPR com pedido de suspensão e indenização, evidenciando que as salvaguardas atuais são insuficientes mesmo antes da venda da estatal de TI.
Dados e Escala
- Identificadores e vínculos familiares: cadastro de alunos e responsáveis, com autenticação e associação de perfis para consulta e alertas no app Escola Paraná.
- Vida acadêmica: frequência por aula, notas, horários, agenda de avaliações e conteúdos, integrados ao Registro de Classe On-line (RCO) e disponibilizados a famílias.
- Biometria e imagens: a Chamada Inteligente capta fotos em sala e utiliza reconhecimento facial para presenças, processando dados faciais de menores como dado sensível em infraestrutura estatal.
- Expansão e contestação: a tecnologia foi expandida para milhares de colégios estaduais e enfrenta críticas de educadores e pesquisadores por eficácia, governança e finalidade legítima.
LGPD: Crianças e Adolescentes
- Dado sensível e melhor interesse: dados de saúde e biometria são sensíveis e, no caso de menores, o tratamento exige base legal adequada, transparência e aderência estrita ao melhor interesse da criança e do adolescente.
- Orientação da ANPD: exige salvaguardas adicionais, avaliações de impacto e proporcionalidade técnica, sobretudo quando houver decisões automatizadas ou perfilização.
Rede de proteção e MPPR
- Além dos sistemas para gestão escolar existe a parceria com a Rede de Proteção à Criança e ao Adolescente, que inclui mapeamento, integração e acesso online à rede de atendimento (Mapa GeoFortis) com 14.245 unidades, cobrindo políticas como Criança e Adolescente, Saúde, Educação e Sistema Justiça.
- A Celepar desenvolveu e sustentou soluções e portais como o Infância Segura e iniciativas do Fortis, fortalecendo a rede intersetorial e a capacidade de resposta a violações de direitos da infância.
- O “Sistema Justiça” listado no GeoFortis abrange atores como o Ministério Público, evidenciando um elo operacional entre bases de dados, rede de proteção e MPPR para fiscalização e proteção integral.
- Há precedentes de cooperação técnica multiorganismos envolvendo a Celepar e órgãos de controle, comprovando uma interlocução institucional sensível para o interesse público que depende de governança e confiança entre as partes.
Por que a Privatização Agrava o Risco
- Ruptura de confiança e coordenação: a mudança de controle pode quebrar o arranjo interinstitucional com a Rede de Proteção e o MPPR, criando assimetrias de informação, atrasos de integração e zonas cinzentas contratuais que prejudicam respostas rápidas a violações contra crianças.
- Consolidação e monetização: cruzar escolaridade (frequência, notas, comportamento) com saúde (diagnósticos, internações, vacinação) em mãos privadas potencializa perfilização, reidentificação e vigilância, com incentivos a monetizações diretas e indiretas.
- Precedente de fragilidade: se a biometria escolar já responde a ação civil do MPPR, imaginar um controlador privado pressionado por metas comerciais é aceitar risco amplificado de desvio sistemático de finalidade e de “normalização” do abuso.
- Comercialização e scoring: venda, troca ou derivação de atributos (biometria, assiduidade, desempenho, diagnósticos, adesão vacinal) para publicidade, seguros, crédito e seleção, violando finalidade e não discriminação de titulares hipervulneráveis.
- Extorsão e chantagem: vazamentos de prontuários ou rotinas escolares permitem exploração de condições clínicas e hábitos, com risco físico e psicossocial para crianças e famílias.
- Fraudes e engenharia social: golpes baseados em dados reais de saúde e educação tornam-se mais críveis e devastadores, ampliando danos materiais e morais.
- Vigilância e punição automatizada: uso ampliado de biometria escolar e camadas analíticas para controle comportamental extrapola a finalidade pedagógica e fere direitos de personalidade.
Saúde
Prontuários e Vacinação
- Prontuários eletrônicos (GSUS): anamnese, diagnósticos, exames, prescrições, internações e procedimentos pediátricos em unidades da SESA-PR, com módulos clínicos e “Programas Especiais” que incluem linhas para infância.
- Vínculos de responsáveis e acesso: fluxos formais de autorização e cópia de prontuários para pais e responsáveis em hospitais estaduais, como o Hospital Infantil Waldemar Monastier.
- Vacinação e interoperabilidade: registros nominais no novo SIPNI e e-SUS APS integrados via RNDS, compondo histórico vacinal individual de crianças e adolescentes.
Órgãos Atendidos
- Educação: Secretaria de Estado da Educação (SEED) e rede escolar estadual, com plataformas de aprendizagem, biometria em chamadas e painéis de desempenho.
- Mobilidade e trânsito: Detran-PR e DER/PR, com aplicativos, serviços digitais e apoio à fiscalização e atendimento.
- Transparência e controle: Controladoria-Geral, Ouvidoria e gestão de manifestações, com soluções de mural e governo aberto.
- Meio ambiente: integração e apoio a plataformas setoriais como o SEIA em parceria com órgãos ambientais.
- Saúde, Fazenda, Segurança Pública e demais secretarias: suporte a sistemas de negócio, dados, identidade, operação e continuidade de serviços.
Inovação
- Educação: Aprendiz Inteligente e iniciativas de IA generativa para personalizar trilhas de aprendizagem, diagnósticos e apoio a EJA.
- Mobilidade: Detran Inteligente com chatbots, apps e serviços digitais para aumentar eficiência e reduzir filas.
- Transparência: Mural Digital e Gestão de Ouvidoria para acompanhamento de obras, gastos, indicadores e manifestações da sociedade.
- Inclusão social e digital: programa Vida Nova, capacitações para idosos levando tecnologia a municípios menores.
- Escola conectada: reconhecimento facial em chamadas escolares, com governança de dados e identidade segura.
Privatização da Celepar
A privatização da Celepar foi autorizada pela lei estadual 22.188/2024, sancionada pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior em 13 de novembro de 2024 e passou a tramitar com rapidez, sob a justificativa de ganhos de eficiência, parcerias e maior agilidade na compra e evolução de soluções digitais para o Estado.
A operação envolve a separação e resguardo de dados sensíveis (especialmente de segurança pública) para atender requisitos da LGPD, ao mesmo tempo em que enfrenta fiscalização e questionamentos de órgãos de controle e do Ministério Público.
Linha do Tempo e Status
Em novembro de 2024, o governo sancionou a lei que autoriza o início da desestatização da companhia, abrindo a etapa de estudos e modelagem para leilão posterior.
Em 2025, o Executivo contratou consultorias e escritórios jurídicos por dispensa/inexigibilidade de licitação para estruturar a venda, e anunciou meta de concluir o processo até o fim do ano.
A Comissão de Fiscalização e Transparência do Senado realizou audiência pública sobre riscos da desestatização para dados sensíveis e serviços críticos, com críticas de parlamentares e ausência do presidente da Celepar.
Gastos, Contratos e Questionamentos
A consultoria Ernst & Young foi contratada por cerca de R$ 8,7 milhões para estudos e operacionalização da venda, e escritórios jurídicos receberam contratos adicionais por dispensa/inexigibilidade, alvo de questionamentos do MP-PR e de entidades de trabalhadores.
Reportagem do Plural relatou contrato sem licitação da Celepar com a E-Paraná para “consultoria de comunicação e produção de conteúdo” no valor máximo de R$ 2,4 milhões, além de assessoramento jurídico especializado acima de R$ 1 milhão para a privatização.
Críticos destacam a assimetria entre a promessa oficial de “economia” (como corte de 40 cargos comissionados, estimada em R$ 19 milhões/ano) e os valores já empenhados em consultorias e assessorias, bem como o fato de a empresa ter apresentado lucro expressivo em 2023.
Dados Sensíveis e LGPD
O MP-PR apontou possíveis conflitos entre o desenho da desestatização e a LGPD, em especial quanto ao tratamento de dados sensíveis de segurança e investigação criminal que, por natureza, devem permanecer sob controle estatal.
Diante do risco regulatório, o governo criou um grupo interno para separar informações sensíveis e transferi-las à Secretaria da Segurança Pública, buscando viabilizar a venda sem violar a legislação de proteção de dados.
Órgãos de Controle e Supervisão
O Tribunal de Contas do Estado monitora o processo em procedimento sigiloso, e a atuação conjunta de controle externo tem mantido a privatização sob escrutínio técnico e jurídico.
Na última sessão do TCE-PR, o conselheiro Fábio Camargo defendeu medida cautelar para suspender a privatização da Celepar, alegando riscos à LGPD e exigindo que o governo comprove que a operação não trará prejuízo ao interesse público.
O presidente do TCE-PR, Ivens Linhares, considerou a preocupação “oportuna e relevante” e encaminhou o pedido para relatoria do conselheiro José Durval do Amaral, mantendo em avaliação a suspensão cautelar do processo de venda da estatal de TI do Paraná. A imprensa local informou que a Corte pode sustar o procedimento enquanto o governo apresenta documentação e fundamentos que afastem riscos à coletividade e ao patrimônio público. A oposição na ALEP e entidades mobilizadas destacaram que o protocolo no TCE-PR representa um freio necessário para que o tema seja debatido com transparência e controle social.
Narrativas Públicas em Conflito
O governo defende que a privatização trará “parcerias” mais ágeis, ganhos de eficiência e melhor atendimento às necessidades do Estado, com possibilidade de adoção de pregões para ferramentas tecnológicas. Trabalhadores, especialistas e parlamentares argumentam que há risco de desmonte institucional, perda de expertise e comprometimento da soberania e segurança de dados sensíveis, com processo conduzido sem debate público robusto.
Pontos Críticos Recorrentes
Soberania e Segurança: transferência de controle operacional pode elevar riscos de acesso indevido, uso comercial de dados pessoais e fragilização de funções típicas do Estado, segundo especialistas e entidades.
Transparência e rito: a tramitação veloz, contratações sem licitação e a ausência de respostas públicas em audiências e convites à autoridade da empresa são mencionadas como sinais de um processo pouco participativo.
Economicidade e valor público: a economia alegada com cargos comissionados é relativizada por gastos com consultorias e pelo histórico recente de lucros e entregas de serviços críticos à administração pública.
Fatos Adicionais Relevantes
Estimativas de mercado indicam que o comprador levaria um passivo e um portfólio relevantes, incluindo contratos expressivos de TI com o Estado, o que também levanta debate sobre precificação, continuidade e cláusulas de transição.
Há registro de abaixo-assinado de funcionários e denominação crítica do projeto como sinalização de gravidade dos riscos à segurança digital e à governança pública, segundo coberturas locais.
Entregar a uma empresa privada o “mapa da infância” do Paraná — rostos, rotinas, notas, diagnósticos e vacinas — e torcer para que incentivos de mercado não transformem isso em produto, ponte para crime ou moeda de barganha é um risco incompatível com o melhor interesse de crianças e adolescentes.
O elo atual com a Rede de Proteção e o MPPR, além de ser estratégico, pode ser corroído por contratos opacos e objetivos comerciais, degradando a resposta estatal e a confiança social justamente onde elas são mais vitais.
Perguntas a Responder
Por que alienar uma empresa com histórico de lucro e papel estratégico para o ecossistema estatal, em um setor de missão crítica e com ativos de dados de alto valor público?
Como garantir governança, auditoria contínua, cláusulas de reversibilidade e proteção integral de dados sensíveis após a privatização, sob LGPD e controles independentes?
Quais salvaguardas contratuais e regulatórias asseguram continuidade dos serviços essenciais durante e após a transição de propriedade, sem aumento de custos, lock-in tecnológico ou opacidade?